TRAJES TRADICIONAIS
Os nossos trajes, calçados e adornos são reproduções fiéis de originais cuidadosamente pesquisados e reestruturados, remontando aos finais do século XVIII, XIX e início do século XX.
Ao adentrar o nosso armário histórico, deparamo-nos com uma variedade de trajes que refletem as diversas facetas da sociedade da época. Desde trajes ligados ao trabalho no campo e no rio até trajes de romaria e trajes ricos, cada um apresenta características únicas que os distinguem visualmente.
TRAJES RICOS

A população de Cacia, desde sempre, nunca deixou de se arranjar briosamente, mesmo com o árduo trabalho de sol a sol, jamais deixavam de ser briosos.
Estas peças pertenciam sobretudo a lavradores ricos, que as usavam em momentos especiais como batizados, casamentos e festas religiosas.
As mulheres recorriam a lenços de seda, chapéus de feltro com fita de veludo e pena de avestruz, coletes bordados e debruados a seda, camisas de linho compridas, capoteiras de brim preto e azul-escuro, abotoados com alamares de prata ou latão, casaca de fazenda ou brim, chinelas de verniz e ouro, e saias de lã a cobrir vários saiotes.
Os homens recorriam a camisas de linho, casaco de brim, botões de colarinho de ouro, cinta de seda (tons roxos/rosa púrpura), calças de fazenda e botas ou chinelos de couro.
Este traje vistoso e invulgar obteve o primeiro lugar num concurso nacional organizado pelo INATEL nos anos 90.
TRAJES DE TRABALHO

Os trajes de trabalho eram peças essenciais no quotidiano dos populares cacienses, representando a vestimenta que cada pessoa utilizava para desempenhar as suas funções diárias. Na terra de Cacia, era comum avistar o Roçador, a Salineira, o Marnoto, o Pescador do Rio, a Peixeira da Murtosa, a Farrapeira, a Tricana, o Barqueiro, o Padeiro, a Tremoceira, entre outros...
Cada um, com o seu traje distintivo, dominava a sua profissão e assegurava o seu sustento.
A maioria dos trajes de trabalho tinha o mesmo destino. Fabricados a partir de cotim e riscado, essas vestimentas eventualmente se transformavam em farrapos, onde eram utilizadas como tiras pelas tecedeiras na criação de mantas de retalhos, tapetes e enxergas (substituto de colchões).
TRAJES DE ROMARIA

As romarias em Cacia sempre foram uma tradição querida pelo povo local. Durante esses eventos, o traje adotado era ligeiramente diferenciado, com as pessoas vestindo-se de forma mais vistosa.
Essas ocasiões tornavam-se momentos especiais, nos quais rapazes e raparigas se conheciam, encontravam-se e, muitas vezes, surgiam os primeiros amores.
Nesses dias, as mulheres utilizavam chinelos ou tamancos. Ao chegar ao recinto, descalçavam-se e lavavam os pés na fonte, apresentando-se airosas e refrescadas.
Uma romaria com forte conexão ao povo de Sarrazola e Cacia é o São Paio da Torreira, realizada no sétimo dia de setembro todos os anos. A preparação para esta romaria, que ocorria de barco, começava meses antes. Os mais jovens começavam escolhendo as peças de vestuário e decidindo a cor da flor que usariam no chapéu ou no peito. Enquanto isso, os mais velhos preparavam o farnel, que consistia em bacalhau, pataniscas, chouriça, frango, broa, azeitonas e vinho, sendo esses os mantimentos essenciais das famílias cacienses.
Nos dias tão esperados da romaria, todos embarcavam no Outeiro ou em outros cais próximos e navegavam em direção à Torreira em barcos do estilo Mercantel, semelhantes aos moliceiros, puxados por vela ou vara. Ao longo do trajeto, cantavam e dançavam. Ao chegar, cumpriam suas promessas, desfrutavam de comida, bebida, dança e música.
























